-Alguém tem uma luz ai? -perguntei.
-Acho que eu tenho uma lanterna na minha mochila. -disse Violet.
Escutei alguns barulhos, e logo uma luz surgiu.
-Isso aí. Conseguimos! -disse ela.
-Podemos seguir em frente? Eu preciso, achar a saída disso daqui, a picada do Escorpião mata em cinco dias. -disse Aikaterine.
Eu olhei em frente, vi que o túnel era muito grande, não podíamos ver um fundo. Nós começamos a andar, eu já estava ficando sem forçar quando Cristian disse:
-Luz! -e simplesmente seguiu em frente correndo.
Eu e pelo jeito mais ninguém conseguia ver nada. Corremos atrás dele e de repente ele parou, e começou a dizer:
-Charlotte, eu estou aqui, não precisa ficar com medo, estou indo.
Vi que não havia Charlotte nenhuma ali, ninguém mais a via. Mas ele continuava seguindo em frente, quando de repente em foi puxado para cima, por algo. Olhei e vi um buraco e algumas pessoas, mas antes que pudesse fazer algo, eles o tamparam com granito.
Todos nós tentamos o erguer, mas nada conseguimos fazer.
-Vamos seguir em frente. -disse Aikaterine.
-NÃO! -gritei.
-Não grite menina, aqui pode dar avalanche e nós podemos ser soterrados. -falou ela.
Eu xinguei baixinho, e nós continuamos a andar.
Quando chegamos a um encruzilhada, haviam dois caminhos e entretanto não sabíamos qual seguir. E então, a lanterna de Violet se apagou.
-Eu não consigo a acender de volta. -falou Violet.
-A deixa isso pra lá vamos por aqui. -falou Aikaterine.
Eu não conseguia ver nada, então somente segui a sua voz.
-Violet, você não consegue fazer isso funcionar mesmo? -perguntei.
Entretanto, não ouve resposta, eu repeti a pergunta e nada.
-Violet, você está ai?
E nada. Então apavorada perguntei.
-Tem alguém ai?
-Eu estou aqui. -disse Aikaterine, ela parecia estar alguns centímetros atrás de mim.
-Eu estou pensando a coisa certa? -perguntei.
-Acho que sim. -falou ela com sua voz dura de sempre. -Só estamos nós duas aqui, os outros seguiram por outro caminho.
-Não acredito. Ellen está morrendo, e nós estamos perdi…
Um enorme estrondo ecoou atrás e nós, virei a cabeça e conseguir ver muito rápido, o teto caindo a toda extensão.
-CORRA. -gritou Aikaterine.
Eu comecei a correr, com o teto desabando atrás de mim. Corria cada vez mais alto, quando cheguei a um momento em que não podia mais avançar, estávamos a beira de um precipício.
Mas Aikaterine sem saber que estávamos a beira de um precipício correu muito rápido e me empurrou. Nós começamos a cair então eu com muita rapidez tirei minha varinha do bolso e gritei.
-ARESTO MOMENTUM!
E quando estávamos a mais ou menos dez centímetros do chão, paramos no ar. E depois caímos. Eu me levantei limpei minha roupa, e olhei em volta.
Vi que tinham dois túneis. E que aquele lugar era iluminado por tochas, e pelos túneis, seguiam um caminho de tochas em cada parede.
-Para onde seguimos. -perguntei.
-Para o túnel do lado direito. - disse ela.
-Porque?
-Não sei, meu pressentimento diz lado direito. -falou Aikaterine.
-Mas e se…-eu ia dizendo quando Aikaterine me interrompeu com um grunhido.
Nós seguimos para o túnel do lado direito. Depois de andarmos muito chegamos a um lugar onde haviam quatro lugares por onde seguir. O lugar que viemos, o túnel a nossa frente, um a nossa direita e um a nossa esquerda. Eu apertei os olhos em direção ao túnel a nossa frente, e notei que lá havia uma luz saindo do teto. E também tinha uma espécie de mesa de pedra, com o amuleto que estávamos procurando em cima dela.
-OLHE LÁ. -gritei empolgada para Aikaterine.
-É o…Meus deuses. -quando pisamos na entrada do túnel, uma porta de pedra se fechou a nossa frente, eu resmunguei, e então fomos para o da esquerda e de novo uma porta de pedra se fechou a nossa frente. Voltamos para o meio, e uma porta se fechou atrás de nós, sendo assim, só poderíamos seguir pelo lado direito, e lá fomos nós. Quando havíamos caminhado bastante, uma voz ecoou pelo túnel.
-Vocês não vão passar por aqui tão facilmente. -era uma voz grossa e rouca.
De repente, um grande troll surgiu a nossa frente.
-Mas será que nós estamos atrás da mesma coisa valiosa? -perguntou Ellen.
-Que outra coisa ia ter aqui? -perguntei.
Ela me fuzilou com os olhos, e virou em direção aos Escorpiões.
Aikaterine soltou seu cabelo e deu um salto, ela tirou sua espada do espadim e correu até os escorpiões. Com um só golpe, ela se livrou logo de cinco. Eu tirei minha espada, e corri até outros escorpiões. Quase todos estavam mortos, quando escutei um grito. Virei a cabeça e Ellen caída no chão.
-O que aconteceu? -perguntei.
-O escorpião maior a picou. -disse Cristian.
Eu fiquei paralisada, isso não podia estar acontecendo. Vi Ellen ficando verde. Ela estava muito mal, se contorcia de um lado para o outro.
-Levem-na para dentro do túnel. -disse Aikaterine.
-Que túnel? -perguntou Lippe apavorado, ele olhava de Ellen para Aikaterine a cada cinco segundos, e fazia uma cara de horror a cada grito de dor que Ellen dava.
-Este daí. -Ela apontou para o chão e de onde os escorpiões tinham vindo, descia uma escada enorme para um túnel.
Olhei para a Escola, e vi Violet em cima de uma cadeira, apavorada.
-Você podia ajudar a gente né? -falei a ela.
-Não-o po-o-dia não. -disse Violet e depois deu um grito quando olhou para Ellen. Ela se contorcia como se a tivessem torturando.
-Vamos menino loiro, leve ela logo. -disse Aikaterine.
-Ma-a-s, ela está morrendo, como…? -disse Lippe.
-Eu sei como salva-la, mas não sei se você notou estamos sendo cercados. -disse ela enquanto acabava com dois escorpiões médios de uma vez só.
Me virei, e vi que mais escorpiões vinham do outro lado. Lippe pegou Ellen no colo e a carregou para dentro do túnel.
-Agora entrem vocês. -ordenou Aikaterine. -Você também menina. -disse ela olhando para Violet. -RÁPIDO.
Eu e Cristian corremos para dentro do túnel com Violet atrás, de repente Aikaterine deu um pulo e entrou no túnel bem na nossa frente e perguntou:
-Alguém ai pode quebrar o túnel para que os escorpiões não entrem?
Olhei para cima e vi que eles avançavam ferozmente.
-Vão para trás. -falei.
Todos eles correram para trás, Lippe sempre com Ellen gemendo em seu colo.
Eu apertei a pedra de minha espada, ela voltou para o meu pescoço em forma de colar. Levantei minha mão em direção ao teto, os escorpiões estavam quase lá dentro. Uni toda a minha força e lancei um raio em sua direção, tudo tremeu, escutei um barulho de terra caindo. Tudo escuro, eu não via absolutamente nada.
Depois de alguns dias, nós finalmente havíamos chegado na Groelândia.
-Por onde começamos? -perguntou Ellen quando saímos do barco.
-Acho que é melhor se nós dermos uma olhada por ai. -falei.
-Isso é bom, mas eu estou com frio, não sei se vocês sabem mas estamos no inverno. -disse Violet.
Eu andei de volta para o barco e peguei alguns casacos.
-Pronto, assim está bom? -perguntei.
-Podia estar melhor né. -falou Ellen.
-A pare com isso. -falei.
-Ei Cristian aonde está Esmeralda? -perguntou Lippe finalmente saindo do barco.
-Nadando por ai, infelizmente a névoa não a cobre. Ela vai ter que ficar escondida por um tempo. -falou Cristian.
Nós saímos andando em direção a cidade, infelizmente não conseguíamos entender nada das placas.
-Que merda. -disse Ellen de saco cheio - Nós já passamos por essa placa com essas letras loucas a muito tempo. Estamos perdidos.
Ela se sentou de forma bruta no meio fio.
-Vamos ter calma. -falei.
-COMO POSSO TER CALMA SE NÓS ESTAMOS PERDIDOS, EM UM LUGAR QUE É VIRADO EM NEVE E TEM ESSAS ESCRITAS ESTRANHAS? -gritou ela.
-Ei, assim as pessoas vão achar que você é louca. -disse Lippe.
-E elas vão estar certas. -cochichei para mim, mas infelizmente Ellen ouviu e partiu para cima de mim.
-Não me chame de louca. -falava ela tentando arrancar meus cabelos. -Eu sei que eu sou, mas não precisa dizer assim.
Finalmente Lippe a tirou de cima de mim, e um tempo depois ela se acalmou.
-SERÁ QUE ALGUÉM PODE NOS AJUDAR? -Violet gritou. Eu a olhei com um olhar fuzilador mas ela deu de ombros.
-Vocês falam inglês? -perguntou uma menina se aproximando da gente.
-Sim, infelizmente estamos perdidos, você pode nos ajudar nós queremos ir…-eu dizia quando ela me cortou.
-Claro, primeiro vocês devem ir a uma estalagem, ai então, depois de descansar podem tomar um café e então ir visitar a cidade, ver tudo por ai…
-Desculpe. -falei meio receosa. -Mas nós só queremos ir até a Escola Groenlandesa de Jornalismo. Pode nos levar até lá?
-Posso claro, como queiram. Sigam me. -A menina aparentava ter uns 18 anos ela era alta, tinha pele morena, cabelos carmesim presos um rabo de cavalo, olhos pretos como jabuticabas, usava um casaco de esquiar, uma calça larga, e botas. Nós a seguimos até um grande prédio.
-E aqui chegamos. A Escola Groenlandesa de Jornalis…
Antes que ela pudesse terminar, o chão tremeu, e um grande Escorpião negro surgiu do chão. Com muitos escorpiões menores atrás deles. Violet deu um grito.
-ODEIO ESSES BICHOS. -gritou ela.
-O que vocês vêem? -perguntou a menina.
-Escorpiões -disse Ellen. -Um enorme, e vários outros atrás.
-Então, vocês são…-ia falando a menina.
-Semideuses, isso mesmo. -falou Cristian tirando uma flecha de suas costas apontando para o maior escorpião.
Ela de repente começou a tirar o casaco, arrancou toda a sua roupa e por baixo ela revelou uma armadura muito forte.
-Qual o seu nome? -perguntei a ela.
-Aikaterine, sou uma Amazona, estou atrás de uma coisa muito valiosa. E pelo jeito vocês também estão. -disse ela.
-Será que nas nossas também tem dragões? -perguntou Violet.
-Provavelmente sim, agora isso não é importante. Tenho más notícias. -disse Cristian. -Mas antes, alguém pode cuidar de Esmeralda?
-Eu posso! -falou Violet, ela se dirigiu a dragão, e começou a cuidar dela. Esmeralda soltava fumaça pelas narinas o tempo todo.
-Acho melhor vocês se sentarem o que eu tenho pra contar não é nada bom. -disse Cristian.
Ninguém se mexeu então Cristian começou a falar:
-Antes de ontem, muitos monstros invadiram o acampamento, eles estavam atrás das pessoas mais importantes pra você, no caso, eu, Leo e Berry, só que Berry saiu em uma missão e eu me escondi e depois fugi e vim atrás de vocês, mas então sabendo que Charlotte era minha namorada, e sua amiga, eles a levaram, e levaram Leo.
-Não…isso não pode ser verdade. -falei.
-Mas é, eles levaram os dois. Eu tentei impedi-los mas Sarah e Dominique são fortes demais. Não consegui. -e nesse momento eu pude jurar que vi uma lágrima brotar de seus olhos.
-Nós precisamos voltar.-falei sem pensar.
-Não Amanda! -disse Ellen. -O que nós precisamos é chegar a Groelândia e pegar esse elemento.
-MAS ONDE ELE ESTÁ? -gritei. Eu estava muito frustada.
-De acordo com o que eu pesquisei, está em Nuuk. Sim Amanda, eu fiquei somente pesquisando junto com Courtney e Bia um dia todo. Bem o que conseguimos achar é que está em Nuuk a capital da Groelândia.
-Que típico. -o cortou Ellen. Cristian a fuzilou com o olhar e então voltou a falar.
-Então quer dizer que nós teremos que ir pelo oeste, ai então chegaremos lá de barco. Lippe, você podia nos informar aonde estamos?
-Claro, estamos no mar Labrador. Quase chegando a Nuuk. Acho que em dois dias estamos lá. -falou ele.
-E aonde você acha que está o simbolo? -perguntou Ellen.
-Essa eu posso responder. -disse Violet se virando para nós, ela estava ajoelhada ao lado de Esmeralda cuidando de seu ferimento. -Está em baixo da Escola Gronelandesa de Jornalismo.
-Ei! -falou Ellen. -Alguém sabe falar Dinamarquês?
Minhas Missões no Acampamento Meio-Sangue III.
Acordei tossindo no meio do convés do barco. Olhei para os lados e vi Violet e Ellen ali caídas. Me levantei procurando alguém, desci até a sala, e vi Lippe lá sentado.
-O que você está fazendo aqui? Devia estar tentando nos salvar? -perguntei.
-Vocês estavam salvas eu sabia disso, e eu estava com muito preguiça de levar vocês pra cama. E podiam pegar uma pneumonia e eu não ia trocar vocês. -disse ele.
-Até que você foi inteligente ein. -falei.
-Ei o que está acontecendo aqui? -perguntou Ellen chegando ali.
-Nada não. -falou Lippe.
-Como tudo aconteceu? -perguntou Violet passando pelo meu lado.
Lippe se levantou foi até a cozinha e voltou com um copo d’água.
-Assim…quando aquela onda veio todos nós caímos, vocês estavam desacordadas então, eu juntei vocês três fiz uma bolha de ar, e quando eu vi que tudo estava calmo eu trouxe vocês três de volta.
-Mas e quem nos atacou? -perguntou Ellen.
-Isso eu posso responder. -falei. -Foi Mason, eu o vi. Acho que o titã que está dentro dele é Oceano, por isso conseguiu controlar a água.
De repente escutamos um grito vindo lá de fora. Todos corremos para o convés, olhei para os lados e nada, quando Lippe apontou para cima.
-Olhem lá. -falou ele.
Eu olhei e vi, algo voando não sabia distinguir o que era, mas era bem grande. Violet pegou seu arco e começou a jogar flechas na direção do bicho.
-NÃO. -gritou Ellen. -Ele pode estar do nosso lado.
-Olhe o tamanho daquilo nunca que ele vai estar do nosso lado. -disse ela. Violet mirou mais um flecha e acertou bem na barriga do bicho. Ele foi se aproximando cada vez mais do barco, descendo em nossa direção. Quando ele estava bem perto eu dei um grito.
-PARE VIOLET, PARE, CRISTIAN ESTÁ MONTADO NAQUILO.
Um dragão veio descendo cada vez mais em nossa direção ele era verde, suas escamas pareciam pedras preciosas. Era lindo. Então pousou no convés, ele não era um dragão muito grande, ou ainda não era. Cristian desceu do dragão e o virou de barriga para cima, um flecha estava bem no meio da barriga.
-Cristian…me desculpe…mas…como? -perguntou Violet.
-Sabe aquela caixa que a nossa avó nos deu no aniversário de dez anos de cada um? Na minha tinha uma pedra preciosa e de dentro dela saiu isso. -falou ele.
-Eu ainda não abri a minha. -falei.
Minhas Missões no Acampamento Meio-Sangue III.
Eu corri para cima do barco, e vi ondas vindo por todos os lados, em segundos estava super encharcada. Lippe, Ellen e Violet vieram atrás de mim, e olhavam estupefatos para todos os lados, olhei para meu lado direito e vi um navio gigante e nele estava escrito: Oceano.
O barco balançou e Ellen caiu direto ao mar.
-Eu vou buscar ela. -disse Violet.
-Não eu vou. -retrucou Lippe.
-Você tem que cuidar das ondas, controle a água. Eu vou. -falou ela.
-De jeito nenhum.
De repente os dois pularam na água ao mesmo tempo.
Eu dei um grito e comecei a correr de um lado para o outro, não sabia o que fazer, quando ouvi Lippe me chamando. Olhei para fora do barco e o vi com Ellen nos braços.
-ME JOGUE UMA BOIA. -gritou ele.
Eu olhei em volta e não vi boia nenhuma, quando localizei uma do outro lado do barco. Comecei a correr e…ONDA…continuei, estava quase lá…ONDA…quando finalmente a peguei a joguei na direção de Lippe, ele levou Ellen até as escadas, e eu a puxei.
-Ela não está respirando! -falei.
-Faça respiração boca a boca. -disse ele.
-NÃO. -gritei.- Faz você, eu não…
-Faz logo, Violet desapareceu.
Eu me aproximei de Ellen e…1, 2, 3. Ela cuspiu água na minha cara.
-Você…estava…me….beijando? -perguntou ela.
-Não. -falei emburrada. -Eu não queria fazer isso, mas se não você ia morrer.
Ela se levantou, mas não conseguiu andar, então se apoiou em mim e eu desci as escadas com ela, e a coloquei sentada no sofá. Voltei correndo para o convés.
Lippe, estava subindo as ecadas, com Violet sobre o seu ombro. Ele a colocou no chão, e começou a chover.
-Agora é sua vez. -falei.
-Mas e…Ellen?
-Caso de vida ou morte. -disse Ellen chegando atrás de mim.
Ele se aproximou dela, e fez o procedimento duas vezes, na terceira Violet o agarrou e o beijou. Ellen olhava para eles perplexa.
Lippe a empurrou.
-Isso que eu acabei de ver, não foi um simples boca a boca. -falou Ellen.
-Não foi nada a mais que isso. -disse Violet com os dentes cerrados. Ela saiu dali direto para o seu quarto.
-Ela me beijou eu não queria beija-la. -falou Lippe apressado.
-Mas a beijou. -disse Ellen fervendo.
Ele se aproximou dela e a beijou. Depois sussurrou algo em seu ouvido então Ellen disse em alto e bom som.
-Você ainda não está perdoado. -ela saiu dali pisando firme e se sentou em uma cadeira.
Felizmente a “tempestade” já havia acabado. Violet voltou para o convés, e foi até a proa. De repente uma onda gigante passou por nós e nos levou direto ao mar. Pude ver o barco intacto e tudo ficou escuro.